O que é Conjuntivite ?

O que é Conjuntivite ?

2020-07-08T14:33:25+00:00

 

O que é conjuntivite?

A conjuntivite consiste na inflamação da conjuntiva, sendo muito freqüente na população, de um modo geral. A conjuntiva, por sua vez, é uma camada delgada que reveste a porção anterior da esclera (a parte branca dos olhos) e a superfície interna das pálpebras (as peles que recobrem os olhos).

 

Quais são os sinais e sintomas da conjuntivite?

Existem vários tipos de conjuntivites, de tal modo que os sinais e sintomas podem variar bastante, dependendo do tipo em questão. Mesmo assim, genericamente, podemos dizer que as conjuntivites costumam causar hiperemia ocular (olho avermelhado), associada ou não a outros achados, como, secreção ocular, prurido (coceira), ardência, sensação de areia nos olhos, fotofobia (desconforto com a luminosidade) e lacrimejamento.

Como se diagnosticam as conjuntivites?

O diagnóstico das conjuntivites deve ser feito pelo médico oftalmologista, durante uma consulta médica. Ao examinar o paciente, o oftalmologista irá coletar informações que ajudarão no diagnóstico correto da conjuntivite, a fim de distinguir esta doença de outras causas de hiperemia ocular (olho vermelho), como uveítes e crises de Glaucoma. Assim, percebemos a importância da consulta médica com um oftalmologista, pois um diagnóstico não realizado no tempo correto poderá atrapalhar também o tratamento adequado.

 

Como se pega conjuntivite?

Como explicado acima, a Conjuntivite Alérgica não passa de pessoa para pessoa mas, as formas infecciosas, seja viral ou bacteriana são contagiosas.

A transmissão ocorre por contato direto, ou seja, não passa pelo ar. É preciso que a pessoa toque a outra ou pegue algum objeto que foi tocado pela pessoa contaminada. Ou seja, se você usa uma toalha que foi usada por uma pessoa com conjuntivite ou usa o mesmo talher usado por ela, você corre sério risco de ter a doença.

Na conjuntivite viral, o vírus pode ser transmitido pelo espirro ou pela tosse e causar infecção. Apesar da infecção ser apenas nos olhos, o vírus ou a bactéria está nas mãos, no rosto e em qualquer outra parte da pessoa contaminada.

 

Como evitar a transmissão da conjuntivite? Como se prevenir da conjuntivite ?

A pessoa contaminada deve adotar alguns métodos para evitar passar a doença para outra pessoas:

 

– Lavar sempre as mãos, principalmente depois de mexer nos olhos ou pingar os colírios;

– Só usar lenço de papel para limpar os olhos e descartá-lo depois. Não usar lenços de pano;

– Evitar cumprimentar ou beijar as pessoas;

– Não compartilhar toalhas, fronhas, talheres etc.. com outras pessoas.

 

Lembre-se que a transmissão da conjuntivite pode ocorrer por vários dias mesmo depois de iniciado o tratamento. Enquanto seu olho estiver vermelho ou com secreção você pode transmitir a conjuntivite para outras pessoas.

 

Existem vários tipos de conjuntivite?

Sim, existem diferentes tipos de conjuntivite. Por esta razão, cada pessoa poderá apresentar sinais e sintomas diferentes, dependendo do tipo de conjuntivite. Por exemplo, um paciente poderá ter prurido (coceira), enquanto outro poderá ter ardência. Também poderá haver casos com secreção ocular purulenta e outros casos sem tal secreção.

 

Quais são os tipos de conjuntivites que existem?

As conjuntivites podem ser classificadas, basicamente, em: Conjuntivite Viral, Bacteriana, Alérgica, Neonatal e Tóxica. A seguir, discutiremos cada uma destas formas separadamente.

 

Conjuntivite Viral

A Conjuntivite Viral é a mais freqüente de todas as formas de conjuntivites. Pode ser causada por diversos vírus (adenovírus, poxvírus, coxsackievírus e enterovírus, por exemplo), mas o adenovírus é o agente mais usual, situação na qual é chamada de Ceratoconjuntivite Epidêmica.

Os sintomas variam, mas, tipicamente, há queixa de olho vermelho, sensação de corpo estranho, lacrimejamento, ardência e secreção ocular mucosa, podendo estar associada com infecção de vias respiratórias superiores. Ao exame, verifica-se hiperemia conjuntival difusa (olho vermelho), edema palpebral (pálpebras inchadas), folículos hipertrofiados na conjuntiva tarsal e linfonodo pré-auricular palpável (bolinha perto da orelha).

 

O que é membrana ou pseudo membrana?

Em alguns casos raros de conjuntivite viral, a inflamação é tão intensa que se formam membranas inflamatórias que ficam aderidas na parte interna das pálpebras. Essas membranas precisam ser retiradas pelo oftalmologista e iniciado colírios de corticóide para evitar que elas se formem novamente.

Esses casos muitas vezes evoluem para formação de cicatrizes na córnea e que podem até diminuir a visão.

 

 

Infelizmente nos últimos anos temos vistos esses casos se tornarem mais comuns.

 

O que são infiltrados subepiteliais de córnea?

Em alguns casos podem ocorrer a formação de infiltrados corneanos subepiteliais.

Segundo o Dr. Gustavo Bonfadini, após a segunda ou terceira semana de conjuntivite, alguns pacientes desenvolvem infiltrados subepiteliais, reações imunes associadas a lesões da membrana basal do epitélio causadas pelo adenovírus. “Estes infiltrados geralmente são auto-limitados, mas podem durar meses ou mesmo anos para desaparecer. Os pacientes devem ser orientados sobre essa possível complicação e, se apresentarem baixa de visão limitante, ser tratados com médico oftalmologista de forma a controlar o problema. Em geral a resposta ao tratamento é boa.

 

A ceratoconjuntivite epidêmica (Conjuntivite Viral) é bilateral em cerca de 50% dos casos, sendo muito contagiosa, razão pela qual o paciente deve ser instruído a lavar as mãos com freqüência, usar toalha individual e evitar ambientes fechados, bem como contatos íntimos com outras pessoas.

 

Conjuntivite Bacteriana

A conjuntivite bacteriana é menos comum que a viral, e apresenta-se com hiperemia ocular (olho vermelho) e outros achados semelhantes à forma viral, porém com uma quantidade maior de secreção mucopurulenta e ausência de linfonodo pré-auricular (bolinha próximo à orelha). Reação folicular e infiltrados subepiteliais também não costumam ocorrer na forma bacteriana, a qual é causada, na maioria da vezes, pelas bactérias: Sthaphilococcus aureus, Streptococcus pneumoniae ou Hemophilus influenza.

Uma forma bastante específica de conjuntivite bacteriana que merece nossa atenção é o chamado tracoma. O tracoma consiste na infecção causada pelos sorotipos A, B e C da Chlamydia trachomatis, afetando principalmente populações com condições precárias de higiene. Nesses casos, formam-se folículos na conjuntiva tarsal e limbar superior, que podem evoluir para as fases tardias da doença, com surgimento de áreas de fibrose, opacificação corneana e severo comprometimento da visão. O tratamento das conjuntivites bacterianas baseia-se nos colírios de antibióticos.

Além disso, podem ser associadas lágrimas artificiais (colírios lubrificantes), colírios antiinflamatórios e compressas frias. Havendo processo inflamatório muito intenso, corticóides tópicos podem ser usados, desde que não exista suspeita de infecção fúngica.

 

É importante que haja o acompanhamento do médico oftalmologista para um diagnóstico preciso e tratamento adequado.

 

Conjuntivite Neonatal

A conjuntivite neonatal (ophthalmia neonatum) é definida como uma inflamação da conjuntiva durante o primeiro mês de vida. A sua forma mais comum é a conjuntivite química, a qual decorre da ação irritativa provocada por determinadas substâncias aplicadas na superfície ocular, ocorrendo na primeira semana de vida.

Nesse contexto, o agente mais freqüentemente envolvido costuma ser o nitrato de prata, o qual pode ser usado para a prevenção da conjuntivite gonocócica. Por essa razão, o nitrato de prata vem sendo gradualmente substituído, nas maternidades, por colírios de antibióticos, os quais atendem à necessidade de prevenir a conjuntivite gonocócica, com menores riscos de conjuntivite química.

A conjuntivite gonocócica, por sua vez, representa uma forma mais rara, porém bastante agressiva de conjuntivite neonatal, sendo causada pela Neisseria gonorrhoeae. Seu início é geralmente abrupto, manifestando-se já nas primeiras 48 horas de vida, com secreção ocular abundante, podendo evoluir para úlcera corneana. Nesses casos, recomenda-se a coleta de material para exames bacteriológicos e bacterioscópicos, iniciando-se o tratamento empírico antes do resultado definitivo dos referidos exames. As crianças devem ser tratadas em regime de internação hospitalar, com acompanhamento pediátrico, medicadas com antibiótico sistêmico, colírio antibiótico e higiene para a remoção de secreções.

Toda criança com diagnóstico de conjuntivite gonocócica deve ser tratada, também, para clamídia. Felizmente esse tipo de conjuntivite é rara nos dias atuais, devido à prevenção realizada com colírio de nitrato de prata, de iodo povidona ou de antibióticos, ao nascimento.

 

Conjuntivite Alérgica

As conjuntivites alérgicas constituem uma causa bastante comum de consultas oftalmológicas, acometendo de 15 a 20% da população. O sintoma mais característico dessas conjuntivites é o prurido ocular (coceira), o qual é mediado pela ação da histamina junto a receptores específicos. Outras substâncias participam do processo alérgico, como a imunoglobulina E (IgE), sintetizada por linfócitos B. Além desses, mastócitos, neutrófilos, eosinófilos e outras células inflamatórias também estão envolvidas nos eventos alérgicos.

As conjuntivites alérgicas podem ser divididas em quatro tipos: sazonal, vernal, atópica e papilar gigante. A seguir, discutiremos cada tipo individualmente.

 

Saiba mais sobre: Conjuntivite Alérgica.

 

 

Conjuntivite Tóxica

A conjuntivite tóxica pode ser causada por qualquer substância que exerça ação danosa à superfície ocular. Na prática, a principal causa deste tipo de conjuntivite consiste no uso de medicações tópicas, principalmente antivirais, antibióticos, mióticos, atropina e preservativos (encontrados em colírios e soluções de lentes de contato). Ao exame, observamos reação folicular, hiperemia conjuntival e ceratite puntacta, especialmente na porção inferior da córnea. O tratamento é realizado com a descontinuidade do colírio sob suspeita, associando-se o uso de lágrimas artificiais, preferencialmente sem conservantes.

Saiba mais sobre: Ceratocone.

Saiba mais sobre: Queimadura química.

Saiba mais sobre: Olho Seco.

 

Lembre-se: Este artigo visa informar o público e não substitui avaliação por médico oftalmologista, que é o único profissional capacitado para realizar o diagnóstico preciso e indicar o tratamento mais adequado para cada caso. Portanto, não pratique a auto-medicação e procure sempre o seu médico

 

O Instituto de Oftalmologia do Rio de Janeiro – IORJ ®, possui equipe médica especializada, com experiência no diagnóstico e tratamento das Conjuntivites.

 

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Sobre o Autor:

Doutor em Ciências Visuais e Oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), completou especialização de 3 anos em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Residência Médica em Oftalmologia pela Secretaria Municipal de Saúde – RJ. É especialista em Transplante de Córnea e Cirurgia de Catarata pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Fez Post-doctoral Research Fellowship em Catarata, Cirurgia Refrativa e Córnea pela Johns Hopkins University – EUA. Chefe do Setor de Córnea e Cirurgia Refrativa do Instituto de Oftalmologia do Rio de Janeiro – IORJ, atua nas áreas clínica e cirúrgica da transplante de córnea, oftalmologia geral, síndrome do olho seco, distrofia de Fuchs, ceratocone, conjuntivite, cirurgia a laser, cristalino, lentes intra-oculares e catarata.